
Palavras não ditas
Fazem o seu percurso diário na minha mente
Penso no que disse e no que poderia (não) ter dito
Ponho um ponto no meu pensamento e abro a porta de casa.
Barulho na estrada cria-me um nó no estômago
Tapo os ouvidos
Bloqueio tudo ao meu redor
Novas actividades
Novos objectivos
Aligeiram esta sensação
Continuo sozinha
Numa sociedade individualista
Que me diz
Que tenho de aprender a ser feliz sozinha
Mas eu não sou uma ilha
Ou será que sim?
Será que o mundo é povoado de pequenas ilhas
Que florescem em ângulos remotos
E que quando se tocam por acaso
Percebem o quão isoladas estão?
Hoje, só hoje,
Sinto que a empatia é um defeito
Não quero compreender
Mas ser compreendida
Todos os dias abro a porta de casa
E mostro-me ao mundo como sou
De cara lavada
Abro a boca e comunico numa língua que não é a minha
Será que um dia a poderei fazer minha?
Sinto-me num filme que já vai a meio
Percorro ruas que não são minhas
Passo despercebida
Refugiada na minha honesta vulnerabilidade
Como não tenho nada a esconder
Pareço parte natural do mundo que me circunda
Mal eles sabem
Quantas vezes me senti deslocada
Onde estou?
Para onde vou?
Quem espera por mim em casa?
Qual casa?
Risadas no quarto ao lado sopram um vento de intimidade e cumplicidade
Que só pode ser natural
Duas pequenas ilhas encontraram-se
E decidiram fundir-se
Fico genuinamente feliz
Fecho a porta do meu quarto
Anseio por um sinal
Escrevo este poema
Lágrimas invisíveis percorrem o meu rosto
Preparo-me para me refugiar
Numa nuvem que me consola
Ela é feita de mim.
Parole non dette
Fanno il loro percorso quotidiano nella mia mente
Penso a ciò che ho detto e a ciò che avrei (o non avrei) potuto dire
Metto un punto ai miei pensieri e apro la porta di casa.
Il rumore sulla strada mi crea un nodo nello stomaco
Mi tappo le orecchie
Blocco tutto intorno a me
Nuove attività
Nuovi obiettivi
Hanno alleggerito questa sensazione
Continuo da sola
In una società individualista
Che mi dice
Che devo imparare a essere felice da sola
Ma io non sono un’isola
O forse sì?
Il mondo è forse popolato da piccole isole
Che fioriscono in angoli remoti
E che, quando si sfiorano per caso
Si rendono conto di quanto siano isolate?
Oggi, solo oggi,
Sento che l’empatia è un difetto
Non voglio capire
Ma essere capita
Ogni giorno apro la porta di casa
E mi mostro al mondo così come sono
A viso scoperto
Apro la bocca e comunico in una lingua che non è la mia
Chissà se un giorno riuscirò a farla mia?
Mi sembra di essere in un film già a metà
Percorro strade che non sono mie
Passo inosservata
Rifugiata nella mia onesta vulnerabilità
Poiché non ho nulla da nascondere
Sembro parte naturale del mondo che mi circonda
Ma loro non lo sanno
Quante volte mi sono sentita fuori luogo
Dove sono?
Dove sto andando?
Chi mi aspetta a casa?
Quale casa?
Risate nella stanza accanto soffiano un vento di intimità e complicità
Che può essere solo naturale
Due piccole isole si sono incontrate
E hanno deciso di fondersi
Sono veramente felice
Chiudo la porta della mia stanza
Spero in un segnale
Scrivo questa poesia
Lacrime invisibili scorrono sul mio volto
Mi preparo a rifugiarmi
In una nuvola che mi consola
È fatta di me.
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